terça-feira, janeiro 29, 2008

 

Iracema na América



Conheci (ou percebi) esta canção na voz da Bebel, no songboog do Chico (1999), e me apaixonei por ela. Chico já havia gravado no CD As Cidades (1998) e, depois, no Chico ao vivo (1999). Engraçado como algumas coisas passam despercebidas... Uma história simples, delicada, expressiva.
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Em seu site, lê-se:

Nota sobre Iracema voou
Folha de São Paulo


Em (mais) uma homenagem clara a Tom Jobim, diz de uma tal Iracema do Ceará, que voou para seu anagrama América, "não domina o idioma inglês", "tem saído ao luar com um mímico" e "ambiciona estudar canto lírico".

É uma brincadeira (triste) em torno da renitente fuga de brasileiros da terra natal – o próprio Jobim foi um desses –, e aqui se revela a intenção de Chico em "As Cidades": o disco quer tratar de desterritorialização, da perda de identidade de brasileiros malparados no mundo globalizado. E quer, assim, "reabrasileirar" o Brasil.

Folha de São Paulo 31/10/98
Pedro Alexandre Santos com colaboração de Fabio Schivartche


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anagrama [Do lat. mod. anagramma < gr. anagrammatismós < gr. anagrammatízein, ‘transpor letras’]
Substantivo masculino
1. Palavra ou frase formada pela transposição das letras de outra palavra ou frase. Ex.: Belisa (de Isabel); Soares Guiamar (pseudônimo de Guimarães Rosa); “Pelo seu próprio conteúdo, a Menina e Moça [de Bernardim Ribeiro] não pode deixar de ter um fundo autobiográfico, de ser, pelo menos em parte, um roman à clef, como sugerem numerosos anagramas transparentes: Binmarder (Bernardim), Aônia (Joana), Avalor (Álvaro), Arima (Maria), Donanfer (Fernando), etc.” (Antônio José Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, p. 239); “E dizem que a Iracema do romance de Alencar é o anagrama de América.” (João Ribeiro, Curiosidades Verbais, p. 76).
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renitente [Do lat. renitente]
Adjetivo de dois gêneros
1. Que renite; teimoso, obstinado, pertinaz, contumaz.

. Iracema voou
Chico Buarque/1998


Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá

Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita,
Me liga, a cobrar:
_ É Iracema, da América
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Voz: Bebel Gilberto
Piano & arranjo: Gilson Peranzzetta
Baixo: Jorge Helder
Bateria: Élcio Cáfaro
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Voz & violão: Chico Buarque
Violão & arranjo: Luiz Claudio Ramos
Piano: João Rebouças
Baixo: Jorge Helder
Bateria: Wilson das Neves
Cordas: violinos, violas & cellos
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Comments:
e o chico rimando mimico com lírico. esta é mais uma das belas letras, não conhecia com a Bebel, ficou linda na voz dela!
beijos!
 
Rima também América com lépida, vez com inglês... sutilezas do Chico! E, eu, só a conheci depois, na voz dele.

bjão,
Clé
 
Clélia,
E a letra, pra variar, é linda.
Beijo grande
 
Concordo, Lord.
bjo gde pra você tb,
Clélia
 
Tenho uma puta dúvida em relação a qual das duas gravações eu gosto mais. Às vezes, a voz da Bebel me enjoa um pouco, mas nesta gravação está muito legal.

Gosto da gravação que ela fez, junto com o Chico da canção A mais bonita. Acho que foi a primeira vez que a ouvi. Ou que prestei atenção nela.
 
Clélia,
Não consegui ouvir a música, mas a letra é linda.
Mudando de pato pra ganso, e voltando ao pato, a Bossa Nova está fazendo 50 anos -( Boscoli/
Menescal e João Gilberto, comemorar
é preciso.
Bjs
 
Lord,

Ainda sobre a letra... Quer coisa mais bem sacada que sair com um mímico qdo não se domina uma língua? Ou a "chamada a cobrar", qdo uma gravação pede que você se identifique e diga de onde está falando? Driblar o setor de imigração e continuar no país, indefinidamente...
 
Amor,

Há duas coisas legais & diferentes nas 2 gravações: o acompanhamento (piano, numa e violão, na outra). Ambos ótimos! O timbre de voz da Bebel lembra o da mãe, Miúcha, e acho que isso é o que incomoda. Por outro lado, ela canta contida, discreta, como o pai, João. O Chico é o Chico. Mesmo com a voz pequena, é sempre bom ouvir.

Estou pensando em fazer um post com músicas que gosto na voz da Bebel, se quiser, pode dar palpites: A mais bonita (Chico), Samba & amor (Chico), Mais feliz (Dé, Cazuza & Bebel), Preciso dizer que te amo (Dé, Cazuza & Bebel)...

bjo
 
Mª Helena,

O Ijjig, às vezes, nos deixa mesmo na mão. Não toca ou toca com soquinhos... Tente + tarde. Não desista, não.

E viva a Bossa Nova!

bjo,
Clélia
 
Clélia, fiquei um tempinho sem comentar por aqui por conta do meu sogro, que foi pra melhor no dia 19.

E, por falar em Chico, uma das músicas que o velho mais gostava de cantar quando fazíamos aquela feijoada com samba, era Januária, do Chico.

Quero morrer velhinho, lembrando dele, com camiseta regata suspensa até o meio da barriga (de chopp), levantando o dedo indicador direito e puxando:

"Laiá, Laiá. Laiá, Laiá...
Toda gente homenageia..."

Saudade bateu forte agora...
Bjo.
 
Que lindo, Diego... Li, no seu blog, sobre o seu sogro.

Januária
Chico Buarque/1967


Toda gente homenageia
Januária na janela
Até o mar faz maré cheia
Pra chegar mais perto dela
O pessoal desce na areia
E batuca por aquela
Que, malvada, se penteia
E não escuta quem apela

Quem madruga sempre encontra
Januária na janela
Mesmo o sol quando desponta
Logo aponta os lados dela
Ela faz que não dá conta
De sua graça tão singela
O pessoal se desaponta
Vai pro mar levanta vela

bjo,
Clé
 
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